Toda firma de consultoria roda sobre o mesmo organograma: sócio no topo, gerentes no meio, analistas na base. A firma de uma pessoa só mantém esse desenho, com uma diferença. A coluna inteira de execução, do analista ao gerente, é ocupada por um time de IA que o sócio orienta. Montei a AMK para testar se a estrutura para de pé quando a execução fica barata.
Como a firma tradicional se organiza
A consultoria de marca é precificada por ranking. A maior parte das horas vem da base da pirâmide, e sobre essa composição entram o prêmio e o overhead de estrutura. O sócio, dividido entre projetos, aparece em uma fração do dia a dia, e a senioridade plena chega ao trabalho nas revisões. Faz sentido: concentra o julgamento caro nos pontos de controle e espalha a execução por muitas mãos.
Os cargos que a IA ocupa
Na firma de uma pessoa só, esse time de IA cobre a coluna inteira, e dá para nomear as funções. Uma decompõe o problema e monta o plano de trabalho. Outra levanta benchmark, mercado e fontes públicas. Uma terceira modela os dados e roda cenários. E há a produção do material, o deck e o memo no padrão, com uma checagem de consistência antes de tudo ir para revisão. Eram os postos que, na pirâmide, iam do analista ao gerente. Agora respondem a um único sênior.
O que o sênior não delega
A função do topo não mudou; o alcance mudou. O sócio define a hipótese, lê o que os números dizem para o negócio, questiona cada conclusão antes que ela feche e assume o modelo quando o caso é difícil. Sustenta também a relação com quem decide, a parte que nenhum agente cobre. No modelo tradicional, esse julgamento pleno só aparecia nas revisões. Aqui, ele está em cada peça.
Implicação para gestores
O ganho não é velocidade, é qualidade que não oscila. Na pirâmide, o resultado dependia de quem estava naquela linha do projeto; aqui, é o mesmo julgamento em toda entrega.
Quando a execução custa uma fração do que custava, quem contrata deveria fazer uma pergunta simples: está comprando horas de uma pirâmide ou decisão sênior?